Friday, December 6, 2013

Filme Contra a Teatro

"Bem, está e uma maneira de olhar as coisas. E toda coisa tem pelo menos duas maneiras de ser olhada. Uma de lá pra cá, outra, de cá pra lá. Entendeu?" (Bonitão no Pagador de Promessas, Dias Gomes, 35)

Eu escolhi essa frase hoje porque depois de assistir o filme Pagador de Promessas, eu vi o teatro numa outra maneira. E interessante como um filme pode manipular tempo e sentimento diferente como o teatro. Falamos sobre como dentro de um teatro somos limitados com tempo e espaço, somos obrigados de ficar num lugar e manter o foco numa perspectivo principal. Quando assistimos o filme sentimos uma liberdade maior. Como observadores, nos entramos cada lugar com as personagens, nos entramos o terreiro, passamos a jornada com Zé, entramos a igreja que fugiu o protagonista, até entramos um hotel, e sentamos na escada com Zé. Com a capacidade de controlar tempo e espaço nos podemos ver mais das experiencias, mas sabemos também que por caso desse controlo o diretor tem a habilidade de incluir mais de seus própios opiniões.

Pessoalmente, eu senti mais conexão com o teatro do que o filme. Podíamos ver mais cenas juntos com os personagens, mas perdemos um pouco da emoção e conflito que os leitores enfrentaram. A parte que eu mais gostei sobre o teatro e a frustração sobre cada personagem, mas dentro do filme o diretor tinha o poder de controlar a empatia em relação dos personagens. Com tanto poder de mostrar cada momento, nos perdemos um pouco o conflito entre os personagens e a mensagem de corrupção.

No final a filme ficou muito como o teatro, mas pela manipulação de tempo e espaço nos podemos ver partes que não podíamos se estamos assistindo num teatro. Infelizmente, acho que por caso desses mesmas cenas adicionais nos encontramos problemas e conflitos de interpretações e mudanças da peca original.